domingo, 27 de dezembro de 2009
Há tantas coisas soltas no ar que de súbito parecem entrar em nós e de nós fazem casa. Desabrigar ás vezes dói,as vezes alívia, as vezes nem diferença faz...e na cabeça tantos malabarismos, tantos malabares coloridos que no ar fazem um arco-íris de tantas possibilidades. Nas mãos firmes ganham sentidos. Porém, no ar são mais bonitos, mais coloridos...Os joguei para cima, abri os braços e esperei para vê o que aconteceria...
domingo, 22 de novembro de 2009
Meio que sem sentido ou motivo
Mi’alma estar solta...mas o que alma? Não sei...sei que a minha voa loucamente lá fora, sentindo a brisa da noite, a mesma que não contempla meu corpo onde estou. O meu corpo, preso em mim, não tem pra onde ir. Mas se de me se desfizesse correria loucamente que nem mi’alma lá fora...e corpo se divide da alma? Também não sei, só sei que é isto que acontece agora! Mas, se meu corpo não pudesse dissociar-se de mi’alma sairia correndo por vezes pra sentir a brisa que rola lá fora e ficaria aqui sentando, no calor deste ambiente escuro, onde as largatixas comem grilos...ah! "dei-me mais vinho porque a vida é nada!"
Há doenças piores que as doenças,há dores que não doem, nem na alma Mas que são dolorosas mais que as outras.Há angústias sonhadas mais reais Que as que a vida nos traz, há sensações sentidas só com imaginá-lasQue são mais nossas do que a própria vida.Há tanta cousa que, sem existir,Existe, existe demoradamente,E demoradamente é nossa e nós...Por sobre o verde turvo do amplo rio os circunflexos brancos das gaivotas...Por sobre a alma o adejar inútil do que não foi, nem pôde ser, e é tudo.Dá-me mais vinho, porque a vida é nada.(Fernando Pessoa)
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Trabalho voluntário no currículo
Em 2001 a ONU instituiu o Ano Internacional do Voluntariado, o que fez com que o trabalho voluntário despertasse a atenção de profissionais, empresas e consumidores à responsabilidade social.
Pesquisas como as feitas pelo Instituto Ethos e pelo Jornal Valor Econômico revelam que uma parte dos consumidores - 22% - já optaram ou deixaram de optar por empresas (ou produtos) em razão da sua responsabilidade social.
Na União Européia, em 2009, um novo modelo de currículo foi lançado, no qual o trabalho voluntário o integra, para que assim as características pessoais do candidato sejam avaliadas - capacidade de entrega a uma causa, domínio de línguas estrangeiras, dinâmica e mobilidade, por exemplo.
No Brasil, a importância dado ao trabalho voluntário realizado pelo candidato a uma vaga varia de acordo com a cultura da empresa, ou seja, esse item é avaliado positivamente por empresa que consideram esses valores.
Apesar dos bons olhos sobre o voluntariado, a prática desse tipo de trabalho ainda não é considerada um fator de desempate entre candidatos, podendo até chamar a atenção do empregador, mas não sendo um item decisivo.
Ainda que não seja um critério de seleção, a prática voluntária traz benefícios ao candidato e pode contar como experiência profissional. Algumas empresas já incentivam internamente esse tipo de atividade entre os funcionários e são essas que têm possibilidade de dar maior peso para a prática no processo seletivo.
Com essa nova perspectiva, além do cumprimento com a responsabilidade, o voluntário pode ser "melhor visto" em entrevistas de seleção e ser beneficiado como aluno enriquecendo seu currículo, já que algumas Faculdades as atividades voluntárias desenvolvidas por pelo menos seis meses geram um certificado e podem contar como horas de estágio, obrigatório para alguns cursos de graduação, como é o que acontece na Faculdade Privada de Salvador, na Bahia, onde os alunos dão aulas gratuitas a jovens carentes da uma comunidade na capital baiana.
Equipe IVA
Em 2001 a ONU instituiu o Ano Internacional do Voluntariado, o que fez com que o trabalho voluntário despertasse a atenção de profissionais, empresas e consumidores à responsabilidade social.
Pesquisas como as feitas pelo Instituto Ethos e pelo Jornal Valor Econômico revelam que uma parte dos consumidores - 22% - já optaram ou deixaram de optar por empresas (ou produtos) em razão da sua responsabilidade social.
Na União Européia, em 2009, um novo modelo de currículo foi lançado, no qual o trabalho voluntário o integra, para que assim as características pessoais do candidato sejam avaliadas - capacidade de entrega a uma causa, domínio de línguas estrangeiras, dinâmica e mobilidade, por exemplo.
No Brasil, a importância dado ao trabalho voluntário realizado pelo candidato a uma vaga varia de acordo com a cultura da empresa, ou seja, esse item é avaliado positivamente por empresa que consideram esses valores.
Apesar dos bons olhos sobre o voluntariado, a prática desse tipo de trabalho ainda não é considerada um fator de desempate entre candidatos, podendo até chamar a atenção do empregador, mas não sendo um item decisivo.
Ainda que não seja um critério de seleção, a prática voluntária traz benefícios ao candidato e pode contar como experiência profissional. Algumas empresas já incentivam internamente esse tipo de atividade entre os funcionários e são essas que têm possibilidade de dar maior peso para a prática no processo seletivo.
Com essa nova perspectiva, além do cumprimento com a responsabilidade, o voluntário pode ser "melhor visto" em entrevistas de seleção e ser beneficiado como aluno enriquecendo seu currículo, já que algumas Faculdades as atividades voluntárias desenvolvidas por pelo menos seis meses geram um certificado e podem contar como horas de estágio, obrigatório para alguns cursos de graduação, como é o que acontece na Faculdade Privada de Salvador, na Bahia, onde os alunos dão aulas gratuitas a jovens carentes da uma comunidade na capital baiana.
Equipe IVA
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
domingo, 4 de outubro de 2009
Daniel na cova dos leões
ouça
Aquele gosto amargo do teu corpo
Ficou na minha boca por mais tempo
De amargo então salgado ficou doce,
Assim que o teu cheiro forte e lento
Fez casa nos meus braços e ainda leve
Forte, cego e tenso fez saber
Que ainda era muito e muito pouco.
Faço nosso o meu segredo mais sincero
E desafio o instinto dissonante.
A insegurança não me ataca quando erro
E o teu momento passa a ser o meu instante.
E o teu medo de ter medo de ter medo
Não faz da minha força confusão
Teu corpo é meu espelho e em ti navego
E eu sei que a tua correnteza não tem direção.
Mas, tão certo quanto o erro de ser barco
A motor e insistir em usar os remos,
É o mal que a água faz quando se afoga
E o salva-vidas não está lá porque
Não vemos
Aquele gosto amargo do teu corpo
Ficou na minha boca por mais tempo
De amargo então salgado ficou doce,
Assim que o teu cheiro forte e lento
Fez casa nos meus braços e ainda leve
Forte, cego e tenso fez saber
Que ainda era muito e muito pouco.
Faço nosso o meu segredo mais sincero
E desafio o instinto dissonante.
A insegurança não me ataca quando erro
E o teu momento passa a ser o meu instante.
E o teu medo de ter medo de ter medo
Não faz da minha força confusão
Teu corpo é meu espelho e em ti navego
E eu sei que a tua correnteza não tem direção.
Mas, tão certo quanto o erro de ser barco
A motor e insistir em usar os remos,
É o mal que a água faz quando se afoga
E o salva-vidas não está lá porque
Não vemos
No escuro de mim há tantas cores e sabores...não me acho nem me reconheço. Cavo fundo e faço um buraco do tamanho do mundo...ou será do tamanho de mim? Do que pensei e fiz? Na escuridão do meu quarto há tantas musicas, passos, desejos...tantos atos sutis, leves como um beijo no rosto ... no escuro de minha casa há pensamentos que transitam o dia todo, dia após dia, como um amigo ou inimigo intimo “o que acontece com você?” perguntaria um sujeito desse simples recinto...”não há nada!” responderia a escuridão do meu quarto, de mim e do meu lar.
É noite e ascende-se as luzes....entre consciente e inconsciente transitam as cores e sons da minha casa...todos numa mesma sintonia de sonhos, mesmo que dissonantes...mas todos sonham e berram como se espantassem a escuridão que transitam nesses corredores.
É noite e ascende-se as luzes....entre consciente e inconsciente transitam as cores e sons da minha casa...todos numa mesma sintonia de sonhos, mesmo que dissonantes...mas todos sonham e berram como se espantassem a escuridão que transitam nesses corredores.
sábado, 3 de outubro de 2009
sábado, 19 de setembro de 2009
Uma diversidade de olhares, faces e cores
***Esse tem a mesma finalidade do que segue a baixo, só não foi revisado pelo me Caro Professor de Impresso II, ta meio tosquinho...mas, da uma olhada, quem sabe você gosta...e opina por favor!!!
Um prédio grande e antigo de paredes brancas e altas, com janelas por toda a parte... Algumas, com grades. Esta é visão externa da Santa Casa de Misericórdia da cidade de Cachoeira
Algumas pessoas sentadas do lado de fora e outras sentadas do lado de dentro do hospital no setor de emergência... Tudo tão calmo que nem parece que ali haveria em algum momento necessidade de emergências. Pessoas sentadas em bancos largos, de cor marrom claro, que mais parecem com bancos de igrejas. Elas conversam tranquilamente. Hoje, não teremos problemas, pensaria o médico de cabelos grisalhos, pele clara e voz grossa, que atendia rapidamente os pacientes.
No ambulatório, no horário de almoço, ninguém, nem quem recepcionar. Cadeiras de plásticos velhas e uma maca antiqüíssima, branca com três rodas: duas maiores na lateral e uma menor na frente. Sobre as rodas, uma espécie de lona branca, onde os pacientes devem se acomodar. Ao cruzar o corredor, tudo muito fúnebre. O sol por ali não passa; um corredor de percurso escuro.
Por ali, passam uma diversidade de gente em tamanhos, cores idades. Entre os pacientes que esperavam por serem atendidos um menino loiro, que teria em media uns três anos de idade, corre para lá e para cá, um riso contagiante, sem nenhuma preocupação, ao contrário de sua mãe que tenta agarrá-lo por todos os lados. Quando a mãe consegue detê-lo, ele grita como se quisesse dizer: solte-me minha mãe, preciso voar. Ele continua a correr correr...Depois de uns instantes volta calmamente nos braços da mãe, sem choro. Começa a tossir, tossir mais e com tanta força que parece que vai sufocar em qualquer momento. A sua baba escorre nos braços de sua mãe, esta sem alarme põe o filho no chão, retira da bolsa uma toalhinha verde, limpa seus braços e a criança. Pronto, passou! Agora ele berra outra vez, quero correr, voar...
Lá em cima, onde ficam os enfermos internados é um lugar silencioso. Muitos quartos, muitos destes vazios, outros com poucas pessoas. Elas dormem, nos olham quando passamos. Um senhor, de cabelos grisalhos e um pouco careca deitado de costas para a porta, tosse. Um menino negro, vestido de paciente com uma toca na cabeça, deitado na cama, olha pela janela, desvia o olhar para nos vê passar.
Camas bem forradas, quartos limpos. Tudo em seu devido lugar.
Quando saio, vejo um senhor vestido com uma blusa de botão, fechada só ao meio, com calças jeans e uma sandália havaiana sujas no pé. Ele tosse, levando a boca um lenço...
A visita aquele lugar, em que já passei, mas, não com aquele olhar me fez refletir sobre a fragilidade da gente, o quanto precisamos dos outros quando já não se pode andar sozinho.
Um prédio grande e antigo de paredes brancas e altas, com janelas por toda a parte... Algumas, com grades. Esta é visão externa da Santa Casa de Misericórdia da cidade de Cachoeira
Algumas pessoas sentadas do lado de fora e outras sentadas do lado de dentro do hospital no setor de emergência... Tudo tão calmo que nem parece que ali haveria em algum momento necessidade de emergências. Pessoas sentadas em bancos largos, de cor marrom claro, que mais parecem com bancos de igrejas. Elas conversam tranquilamente. Hoje, não teremos problemas, pensaria o médico de cabelos grisalhos, pele clara e voz grossa, que atendia rapidamente os pacientes.
No ambulatório, no horário de almoço, ninguém, nem quem recepcionar. Cadeiras de plásticos velhas e uma maca antiqüíssima, branca com três rodas: duas maiores na lateral e uma menor na frente. Sobre as rodas, uma espécie de lona branca, onde os pacientes devem se acomodar. Ao cruzar o corredor, tudo muito fúnebre. O sol por ali não passa; um corredor de percurso escuro.
Por ali, passam uma diversidade de gente em tamanhos, cores idades. Entre os pacientes que esperavam por serem atendidos um menino loiro, que teria em media uns três anos de idade, corre para lá e para cá, um riso contagiante, sem nenhuma preocupação, ao contrário de sua mãe que tenta agarrá-lo por todos os lados. Quando a mãe consegue detê-lo, ele grita como se quisesse dizer: solte-me minha mãe, preciso voar. Ele continua a correr correr...Depois de uns instantes volta calmamente nos braços da mãe, sem choro. Começa a tossir, tossir mais e com tanta força que parece que vai sufocar em qualquer momento. A sua baba escorre nos braços de sua mãe, esta sem alarme põe o filho no chão, retira da bolsa uma toalhinha verde, limpa seus braços e a criança. Pronto, passou! Agora ele berra outra vez, quero correr, voar...
Lá em cima, onde ficam os enfermos internados é um lugar silencioso. Muitos quartos, muitos destes vazios, outros com poucas pessoas. Elas dormem, nos olham quando passamos. Um senhor, de cabelos grisalhos e um pouco careca deitado de costas para a porta, tosse. Um menino negro, vestido de paciente com uma toca na cabeça, deitado na cama, olha pela janela, desvia o olhar para nos vê passar.
Camas bem forradas, quartos limpos. Tudo em seu devido lugar.
Quando saio, vejo um senhor vestido com uma blusa de botão, fechada só ao meio, com calças jeans e uma sandália havaiana sujas no pé. Ele tosse, levando a boca um lenço...
A visita aquele lugar, em que já passei, mas, não com aquele olhar me fez refletir sobre a fragilidade da gente, o quanto precisamos dos outros quando já não se pode andar sozinho.
Arte, devoção e lucro!
***Esse texto foi uma produção minha, com certas revisões feitas pelo meu caro professor de Impresso II...O objetivo era irmos ao um local no caso, o Mercado Municipal de Cacahoeira, e fazer-mos uma analise sobre pessoas e objetos. Com essa atividade aprenderíamos um pouco do jornalismo literário...eu tentei! rsrs
O relógio marca 10 horas e 10 minutos. Zilma movimenta-se pelo box com precisão. Em algumas horas será o momento do almoço.
Apesar do cartaz que indica ensopado de boi, frango, moqueca de peixe, bife acebolado, oito panelas escondem o que esta mulher pretende servir para os fregueses famintos. As mãos que produzem têm dedos grossos, unhas pintadas de vermelho-sangue, espessura grossa, mas não tão grandes. Mão forte de uma mulher que corta legumes com força, cautela e precisão. As varizes da perna não são obstáculos para a movimentação contínua e a persistência do corpo em sustentar-se de pé por horas, em um box pequeno, debruçada sobre uma pia, onde corta os legumes postos em uma tábua de madeira.
Aparência simples, ela usa sandálias havaianas brancas encardidas, uma blusa regata verde, calça capri de cotton vermelha. Zilma tem um sorriso largo, sincero, o que atrai os fregueses ao seu box pela simpatia que passa: dentes brancos, todos no seu devido lugar...Será simpatia ou vontade de vender? Das panelas de alumínio sai um delicioso cheiro de galinha de quintal cozida, remetendo às delícias caseiras de minha vó. E se não fosse pelo ambiente emaranhado de coisas (onde se encontram refrigerantes, bebidas alcoólicas, uma garrafa de “foia-podi”, canudos, copos de vidro de cabeça pra baixo, indicando certa preocupação com a higiene do local, um espelho, uma TV desligada coberta por uma espécie de capa preta, um rádio preto meio que escondido ao fundo-que nada toca- um quadro com cavalos, uma calendário com fotos de animais, engradados de refrigerante vazios, e um bujão azul escuro, à parte, para caso de urgências), pensaria estar em minha casa. Ao lado do box, uma churrasqueira compõem o cenário, fazendo com que os transeuntes tenham a esperança de um bom churrasco que dali pode sair.
Zilma é uma mulher de fé, o salmo 91 pregado sobre um cartaz de refrigerante, São Jorge em seu cavalo branco e Nossa Senhora Aparecida estão presentes em um lugar alto, uma espécie de altar, digno de santos que têm por meta proteger e olhar por aqueles que os veneram. Algumas folhas de arruda em uma vasilha de água compõem o cenário de devoção e superstição
Panelas, muitas panelas (de plástico, de alumínio, em formato de forma e de bacia) empilhadas embaixo da pia-de-pratos e de uma cômoda marrom com uma gaveta única e larga. Ao lado de Zilma, um balde com um saco plástico, serve de lixeira para depositar as cascas de legumes. No balcão porta-guardanapo, sal, palitos de dentes, farinha de mandioca branca.
Ao lado da geladeira marrom, um congelador branco, com uma capa vermelha que cobre a tampa. Em cima da geladeira, uma carteira guardada dentro de um vaso plástico transparente trás um adesivo estampando um escudo do Esporte Clube Bahia... Será devoção?
Sobre um fogão que demonstra certo desgaste, Zilma mexe o feijão em uma panela de pressão de pito vermelho, com delicados movimentos, mostrando a experiência de uma cozinheira de “mão cheia”. Para conferir o sabor do que vai servir, pinga um pouco do caldo em sua mão e leva à boca em um movimento rápido.
A mulher de cabelos pretos, encobertos por uma toca higiênica branca, de sobrancelhas finas, pele clara, unhas pintadas de vermelho-sangue e de um sorriso largo e sincero, enfeita-se com brincos e uma corrente dourada com pingente de coração. Cozinha com habilidade perceptível mesmo por aqueles que não conhecem a arte de cozinhar, pois sua precisão no corte, no mexer das panelas e sua concentração no trabalho, passam a certeza que da li sairá comida da boa... Será devoção?
O relógio marca 10 horas e 10 minutos. Zilma movimenta-se pelo box com precisão. Em algumas horas será o momento do almoço.
Apesar do cartaz que indica ensopado de boi, frango, moqueca de peixe, bife acebolado, oito panelas escondem o que esta mulher pretende servir para os fregueses famintos. As mãos que produzem têm dedos grossos, unhas pintadas de vermelho-sangue, espessura grossa, mas não tão grandes. Mão forte de uma mulher que corta legumes com força, cautela e precisão. As varizes da perna não são obstáculos para a movimentação contínua e a persistência do corpo em sustentar-se de pé por horas, em um box pequeno, debruçada sobre uma pia, onde corta os legumes postos em uma tábua de madeira.
Aparência simples, ela usa sandálias havaianas brancas encardidas, uma blusa regata verde, calça capri de cotton vermelha. Zilma tem um sorriso largo, sincero, o que atrai os fregueses ao seu box pela simpatia que passa: dentes brancos, todos no seu devido lugar...Será simpatia ou vontade de vender? Das panelas de alumínio sai um delicioso cheiro de galinha de quintal cozida, remetendo às delícias caseiras de minha vó. E se não fosse pelo ambiente emaranhado de coisas (onde se encontram refrigerantes, bebidas alcoólicas, uma garrafa de “foia-podi”, canudos, copos de vidro de cabeça pra baixo, indicando certa preocupação com a higiene do local, um espelho, uma TV desligada coberta por uma espécie de capa preta, um rádio preto meio que escondido ao fundo-que nada toca- um quadro com cavalos, uma calendário com fotos de animais, engradados de refrigerante vazios, e um bujão azul escuro, à parte, para caso de urgências), pensaria estar em minha casa. Ao lado do box, uma churrasqueira compõem o cenário, fazendo com que os transeuntes tenham a esperança de um bom churrasco que dali pode sair.
Zilma é uma mulher de fé, o salmo 91 pregado sobre um cartaz de refrigerante, São Jorge em seu cavalo branco e Nossa Senhora Aparecida estão presentes em um lugar alto, uma espécie de altar, digno de santos que têm por meta proteger e olhar por aqueles que os veneram. Algumas folhas de arruda em uma vasilha de água compõem o cenário de devoção e superstição
Panelas, muitas panelas (de plástico, de alumínio, em formato de forma e de bacia) empilhadas embaixo da pia-de-pratos e de uma cômoda marrom com uma gaveta única e larga. Ao lado de Zilma, um balde com um saco plástico, serve de lixeira para depositar as cascas de legumes. No balcão porta-guardanapo, sal, palitos de dentes, farinha de mandioca branca.
Ao lado da geladeira marrom, um congelador branco, com uma capa vermelha que cobre a tampa. Em cima da geladeira, uma carteira guardada dentro de um vaso plástico transparente trás um adesivo estampando um escudo do Esporte Clube Bahia... Será devoção?
Sobre um fogão que demonstra certo desgaste, Zilma mexe o feijão em uma panela de pressão de pito vermelho, com delicados movimentos, mostrando a experiência de uma cozinheira de “mão cheia”. Para conferir o sabor do que vai servir, pinga um pouco do caldo em sua mão e leva à boca em um movimento rápido.
A mulher de cabelos pretos, encobertos por uma toca higiênica branca, de sobrancelhas finas, pele clara, unhas pintadas de vermelho-sangue e de um sorriso largo e sincero, enfeita-se com brincos e uma corrente dourada com pingente de coração. Cozinha com habilidade perceptível mesmo por aqueles que não conhecem a arte de cozinhar, pois sua precisão no corte, no mexer das panelas e sua concentração no trabalho, passam a certeza que da li sairá comida da boa... Será devoção?
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
domingo, 13 de setembro de 2009
Caro leitor, hoje meu personagem será um trabalhador... é lindo seus gestos, seus passos a forma com que se defende...ele carrega nos pulmões, ou melhor, estampado no rosto e nos gestos um ar de superioridade, que persuade qualquer um...se parace para observar este adorável personagem leitor, admitira que nenhum ser que tenha passado por vós tem passos tão pesados e que ao mesmo tempo...desliza, derrete, flutua com uma soberanidade de quem tem o coração do tamanho do mundo....
ELE:
Quando o sol nasce, já esta de pé. Como se para organizar o dia em um estralar de dedos, para por um segundo e tenta reformular tudo que virá pela frente. Ainda sentado, procura ao lado da cama, seus chinelos cinzas de um material, que não saberei eu lhes dizer(não entendo de calçados). Mas sei que este costume que rodeia todos nós,antes de levantar-nos, em procurar os chinelos,fora nos ensinado desde da infância, quando nossas mãezinhas zelavam para que não nos tornássemos inválidos.Meio que cambaleando, ele direciona-se para o banho...volta enrolando em uma tolha verde-cana, cantarolando uma canção, baixinho, como se não quisesse acordar ninguém.
Vai começar mais um dia. Pessoas pretas, brancas, pessoas que gritam, que cantam, que passam...que vivem a passar...
Com Ele metas a cumprir: Vai começar mais um dia! diz Ele de si para si sentado no banco do seu carro, outrora, um belo cavalo cinza.
Madeira, areia, brita, caminhões, trabalhadores(heróis do cotidiano mais conhecidos como peões)papeis-documentos, arquivos- ajeita daqui, prega ali, bota em um canto, arrasto pro outro. Suor! prega, fura, senta, levanta.Ufa! ....um celular que toca...e ai caro leitor, é quando nosso herói flutua e só volta a terra quando o rádio chama por sua atenção...
Quando o sol esta para se pôr, hora de voltar para o lar...desliga o velho computador,cobre com as capas, que esconde-se, curiosamente no banheiro da saleta...põem o rádio para carregar, pois amanhã será um novo dia, do lado esquerdo na mesa, na parte superior, embaixo do capacete amarelo, um celular esta quase descarregando: - ...e amanhã será um novo dia! Conferi se as chaves do carro estão no bolso:
- Aqui!
Antes de apagar as luzes, olha para os lados, confere se não esqueceu nada e volta pra desligar o ar condicionado, lembra-se que mais alguém precisara entrar na saleta, sai e deixa porta encostada....
- Até amanhã!
- Até amanhã doutor!
já montado em seu cavalo cinza, o nosso herói, caro leitor, respira fundo... respiração guardada lá no diafragma.Inspirada com força e expirada com leveza, leveza de quem cumpriu mais um dia!
ELE:
Quando o sol nasce, já esta de pé. Como se para organizar o dia em um estralar de dedos, para por um segundo e tenta reformular tudo que virá pela frente. Ainda sentado, procura ao lado da cama, seus chinelos cinzas de um material, que não saberei eu lhes dizer(não entendo de calçados). Mas sei que este costume que rodeia todos nós,antes de levantar-nos, em procurar os chinelos,fora nos ensinado desde da infância, quando nossas mãezinhas zelavam para que não nos tornássemos inválidos.Meio que cambaleando, ele direciona-se para o banho...volta enrolando em uma tolha verde-cana, cantarolando uma canção, baixinho, como se não quisesse acordar ninguém.
Vai começar mais um dia. Pessoas pretas, brancas, pessoas que gritam, que cantam, que passam...que vivem a passar...
Com Ele metas a cumprir: Vai começar mais um dia! diz Ele de si para si sentado no banco do seu carro, outrora, um belo cavalo cinza.
Madeira, areia, brita, caminhões, trabalhadores(heróis do cotidiano mais conhecidos como peões)papeis-documentos, arquivos- ajeita daqui, prega ali, bota em um canto, arrasto pro outro. Suor! prega, fura, senta, levanta.Ufa! ....um celular que toca...e ai caro leitor, é quando nosso herói flutua e só volta a terra quando o rádio chama por sua atenção...
Quando o sol esta para se pôr, hora de voltar para o lar...desliga o velho computador,cobre com as capas, que esconde-se, curiosamente no banheiro da saleta...põem o rádio para carregar, pois amanhã será um novo dia, do lado esquerdo na mesa, na parte superior, embaixo do capacete amarelo, um celular esta quase descarregando: - ...e amanhã será um novo dia! Conferi se as chaves do carro estão no bolso:
- Aqui!
Antes de apagar as luzes, olha para os lados, confere se não esqueceu nada e volta pra desligar o ar condicionado, lembra-se que mais alguém precisara entrar na saleta, sai e deixa porta encostada....
- Até amanhã!
- Até amanhã doutor!
já montado em seu cavalo cinza, o nosso herói, caro leitor, respira fundo... respiração guardada lá no diafragma.Inspirada com força e expirada com leveza, leveza de quem cumpriu mais um dia!
terça-feira, 8 de setembro de 2009

MUNDO GRANDE-Drummond
Não, meu coração não é maior que o mundo.
É muito menor.
Nele não cabem nem as minhas dores.
Por isso gosto tanto de me contar
Por isso me dispo,
por isso me grito,
por isso freqüento os jornais, me exponho cruamente nas livrarias:
preciso de todos.
Sim, meu coração é muito pequeno.
Só agora vejo que nele não cabem os homens.
Os homens estão cá fora, estão na rua.
A rua é enorme. Maior, muito maior do que eu esperava.
Mas também a rua não cabe todos os homens.
A rua é menor que o mundo.
O mundo é grande.
Tu sabes como é grande o mundo.
Conheces os navios que levam petróleo e livros, carne e algodão.
Viste as diferentes cores dos homens,
as diferentes dores dos homens,
sabes como é difícil sofrer tudo isso, amontoar tudo isso
num só peito de homem... sem que ele estale.
Fecha os olhos e esquece.
Escuta a água nos vidros,
tão calma, não anuncia nada.
Entretanto escorre nas mãos,
tão calma! Vai inundando tudo...
Renascerão as cidades submersas?
Os homens submersos – voltarão?
Meu coração não sabe.
Estúpido, ridículo e frágil é meu coração.
Só agora descubro
como é triste ignorar certas coisas.
(Na solidão de indivíduo
desaprendi a linguagem
com que homens se comunicam.)
Outrora escutei os anjos,
as sonatas, os poemas, as confissões patéticas.
Nunca escutei voz de gente.
Em verdade sou muito pobre.
Outrora viajei
países imaginários, fáceis de habitar,
ilhas sem problemas, não obstante exaustivas e convocando ao suicídio.
Meus amigos foram às ilhas.
Ilhas perdem o homem.
Entretanto alguns se salvaram e
trouxeram a notícia
de que o mundo, o grande mundo está crescendo todos os dias,
entre o fogo e o amor.
Então, meu coração também pode crescer.
Entre o amor e o fogo,
entre a vida e o fogo,
meu coração cresce dez metros e explode.
– Ó vida futura! Nós te criaremos.
Muitas vezes me acalmei lendo este poema...
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Alto, magro, barbudo, negro...ele se estendia pelo sofá como um imperador. O sofá e o momento,eram só seus. De tudo que eu poderia narrar e lhes contar detalhadamente aqui, abstenho para simplesmente dizer que o que ficou dele mais vivo em minha memória foi o sorriso...largo, dentes certinhos...um sorriso vivo...de sol.
Há um período que as árvores se renovam...caem as folhas, nascem os frutos. Daqui onde estou espio um velho pé de siriguela...em tempos passados dava bons frutos(quando muito 'gordo' recebiam o nome de bidela, quando secos eram denominados pecos),servia de balanço, banco e tudo que crianças podem imaginar(o que até Deus duvida)...tentaram cortar o pé de siriguela(maldade!). Este já não dava mais frutos e as crianças se foram(na verdade, cresceram).
Hoje, olhando o pé de siriguela aqui do meu mundinho, ele está se renovando. Pequenas folhas vermelhinhas brotam do seus galhos,antes,secos. Ele ainda esta lá, mas, as crianças não voltaram(não voltarão).
Hoje, olhando o pé de siriguela aqui do meu mundinho, ele está se renovando. Pequenas folhas vermelhinhas brotam do seus galhos,antes,secos. Ele ainda esta lá, mas, as crianças não voltaram(não voltarão).
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
um som uma palavra um gesto um olhar...tudo claramente singular.
uma foto uma flauta uma blusa ou uma sandália um disco a miniatura de um carro....tudo tão particular. um dente uma mexa de cabelo um doce...a vida dilui-se em coisas tão simples, como o cheiro da chuva que encanta o moço que olha o mundo do lado de lá....
uma foto uma flauta uma blusa ou uma sandália um disco a miniatura de um carro....tudo tão particular. um dente uma mexa de cabelo um doce...a vida dilui-se em coisas tão simples, como o cheiro da chuva que encanta o moço que olha o mundo do lado de lá....
sábado, 15 de agosto de 2009
terça-feira, 4 de agosto de 2009
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