quarta-feira, 11 de agosto de 2010
Eu vivo a esperar um ônibus que quando passa no meu ponto sempre esta lotado...meu ponto sempre esta lotado. Todos os dias eu pego um ônibus lotado de pessoas, pensamentos, desejos, loucuras..."tantas loucuras passam em minha cabeça nesses ônibus lotados Deus!"...lá fora passa um moço bonito...passa. Quando o meu ônibus lotado chega ao meu destino já não esta mais lotado,as pessoas se foram solitárias para seus destinos..."somos todos sós". Lembro de um pensamento desses quando voltada de uma cidade bonita, que tinha praias belíssimas, avenidas largas e um trânsito engarrafado como o inferno, pois sim, sentada eu sozinha, pensava que era sozinha e mais sozinha estava dentro daquele ônibus enquanto esperava meu destino mas antes entraria em outro ônibus...todos os dias eu pego um ônibus lotado de pessoas falantes, coloridas, mal humoradas, com um fone no ouvido (talvez pra não ouvir e vê velhinha pedindo pra sentar) ou atrasadas como eu...todo dia digo que não vou pegar mais ônibus,muito menos lotado...
Poema de sete faces
Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.
As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.
O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.
O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.
Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus,
se sabias que eu era fraco.
Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.
Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.
Carlos Drummond de Andrade
Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.
As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.
O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.
O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.
Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus,
se sabias que eu era fraco.
Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.
Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.
Carlos Drummond de Andrade
domingo, 8 de agosto de 2010
Quando eu era criança vivia a imaginar personagens e por vezes imitava-os (mas, quando me via sozinha sem ninguém por perto pra vê e ouvir a voz e a postura engraçada que eu encenava). Cresci e continuo fazendo a mesma coisa...deito na cama e começo a imaginar que sou assim, que tenho isso, conheço tais pessoas que na verdade até conheço mas, configuram minha vida em lugares diferentes dos imaginados nesses momentos. Nem sei por que eu faço...acho que é porque, sabendo que as coisas não vão acontecer do jeito que eu quero no futuro, por este não depender só de mim, eu imagino do jeito que quero, manipulando a vontade das pessoas, colocando palavras na boca destas( por que também imagino pessoas atuando nos meus delírios), como gostaria que me olhassem, me abraçassem, etc. Deve ser por isso, e é tão bom e ao mesmo tempo tão bobo mas, nunca me senti uma idiota fazendo...me sinto tão satisfeita, realizada, mesmo que no outro dia eu ainda acorde eu, e não que eu não goste de ser eu, mas adoro me imaginar em situações que o presente foi incapaz de me fornecer e que o futuro se põem incerto e nem se propõem arriscar-se. O que será que hoje quando eu for dormir ou mesmo quando for tomar banho vou imaginar? Nunca sei, porque nunca me preparo pra isso...outro dia deixei de estudar pra encenar como seria a apresentação do meu trabalho monográfico, as pessoas que estaria na platéia etc. Meu medo é depois de ter contado isso nunca mais voltar a imaginar coisas, não ter mais planos, nem imaginar as pessoas do jeito que eu queria que elas falassem, olhassem...
Assinar:
Postagens (Atom)