domingo, 3 de outubro de 2010

Agora, já não sabendo mais de nada, e querendo tudo...sei que queria tudo...tudo que não posso querer...(?) A tua pele, de onde brota um cheiro...teu...os teus pelos, tão suaves e tão teus...que começo a achar que és único. Não é dor é só saudade de um tempo que vejo suspenso no ar, como um nuvem cheia d'agua que não se sabe se chove ou não chove...e eu que nada sabia, sei que te amo...mas acho até que isso já é clichê pra você.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Eu vivo a esperar um ônibus que quando passa no meu ponto sempre esta lotado...meu ponto sempre esta lotado. Todos os dias eu pego um ônibus lotado de pessoas, pensamentos, desejos, loucuras..."tantas loucuras passam em minha cabeça nesses ônibus lotados Deus!"...lá fora passa um moço bonito...passa. Quando o meu ônibus lotado chega ao meu destino já não esta mais lotado,as pessoas se foram solitárias para seus destinos..."somos todos sós". Lembro de um pensamento desses quando voltada de uma cidade bonita, que tinha praias belíssimas, avenidas largas e um trânsito engarrafado como o inferno, pois sim, sentada eu sozinha, pensava que era sozinha e mais sozinha estava dentro daquele ônibus enquanto esperava meu destino mas antes entraria em outro ônibus...todos os dias eu pego um ônibus lotado de pessoas falantes, coloridas, mal humoradas, com um fone no ouvido (talvez pra não ouvir e vê velhinha pedindo pra sentar) ou atrasadas como eu...todo dia digo que não vou pegar mais ônibus,muito menos lotado...
Cidadezinha Qualquer

Casas entre bananeiras
mulheres entre laranjeiras
pomar amor cantar.

Um homem vai devagar.
Um cachorro vai devagar.
Um burro vai devagar.
Devagar... as janelas olham.

Eita vida besta, meu Deus.

Drummond
Poema de sete faces

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.

O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus,
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.

Carlos Drummond de Andrade

domingo, 8 de agosto de 2010

Quando eu era criança vivia a imaginar personagens e por vezes imitava-os (mas, quando me via sozinha sem ninguém por perto pra vê e ouvir a voz e a postura engraçada que eu encenava). Cresci e continuo fazendo a mesma coisa...deito na cama e começo a imaginar que sou assim, que tenho isso, conheço tais pessoas que na verdade até conheço mas, configuram minha vida em lugares diferentes dos imaginados nesses momentos. Nem sei por que eu faço...acho que é porque, sabendo que as coisas não vão acontecer do jeito que eu quero no futuro, por este não depender só de mim, eu imagino do jeito que quero, manipulando a vontade das pessoas, colocando palavras na boca destas( por que também imagino pessoas atuando nos meus delírios), como gostaria que me olhassem, me abraçassem, etc. Deve ser por isso, e é tão bom e ao mesmo tempo tão bobo mas, nunca me senti uma idiota fazendo...me sinto tão satisfeita, realizada, mesmo que no outro dia eu ainda acorde eu, e não que eu não goste de ser eu, mas adoro me imaginar em situações que o presente foi incapaz de me fornecer e que o futuro se põem incerto e nem se propõem arriscar-se. O que será que hoje quando eu for dormir ou mesmo quando for tomar banho vou imaginar? Nunca sei, porque nunca me preparo pra isso...outro dia deixei de estudar pra encenar como seria a apresentação do meu trabalho monográfico, as pessoas que estaria na platéia etc. Meu medo é depois de ter contado isso nunca mais voltar a imaginar coisas, não ter mais planos, nem imaginar as pessoas do jeito que eu queria que elas falassem, olhassem...

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Um corpo jogado no sofá em uma sala iluminada...um corpo. Quase um objeto.A vida? uma dádiva. Por um segundo vejo-a quase se indo, aos poucos, como quem quer ficar mas, " é tarde, preciso ir!". O Amor? até diria que é uma dor, se isso não fosse tão clichê, mas...o amor...um palpitar aleatório, uma solidão, quatro braços que se entrelaçam(vários braços), pernas que se cruzam. Exposto, naquele sofá, só um corpo. por dentro do corpo toda esta fábula salta, clama, grita num desassossego de quem vive a imaginar cores e sons.

domingo, 7 de março de 2010




Com todos os tons e subtons da voz de Paulo Diniz OUÇA

Canseira...
De andar na minha estrada e nunca chegar
Canseira...
Nos caminhos que eu caminho ela não está

Talvez minha amada
Não saiba que eu sofro
Caminhando por aí

A noite caindo, silêncio na praça
Minha vida é procurar
Inverno feito de brisa, caindo lá do céu
Vou solitário na rua, perdido de você


[Essa música me trás um desejo doido de estar bebendo no Jeca ou dançando com Alguém.]

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

acho que porque o céu azul me lembra um sorriso, largo e bonito...ou aquela gargalhada gostosa que a gente dá quando lembra de um fato engraçado e dizemos para quem ouvi o caso: “tu precisava vê, eu contando não tem graça!”.
Por essas épocas, quando me atacava a saudade do mar, da terra da praia, e do sol que enegrece e que esquenta...não, aqui na verdade queima! Eu olhava pela janela do quarto e pensava “o céu azul, e eu deitada aqui nessa cama”. É tão bom olhar pra cima, vê por entre as folhas da goiabeira aquele céu azulzinho, com algumas nuvens branquinhas e aquele sol tinindo...e quando eu me auto-avaliava, me via de calça jeans e blusa preta, com uma bolsa a tira colo e um caderno na mão...sonhando com o mar, a terra da praia e com o sol rindo pra mim ou de mim.